TRE-SP confirma cassação do mandato de vereador por abuso de poder religioso em eleição de Campos do Jordão

0

A Tribuna – Político teria usado uma igreja evangélica para pedir votos durante a campanha eleitoral. Decisão é em 2ª instância; ainda cabe recurso.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) cassou o mandato do vereador Arlindo Moreira Branco (PROS), de Campos do Jordão (SP), por abuso de poder religioso. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (9) após denúncias de que o político usou uma igreja evangélica para pedir votos durante a eleição de 2016. A decisão ainda cabe recurso.
No final de 2016, o Ministério Público Eleitoral (MPE) entrou com uma ação contra o vereador eleito após receber representações contra ele. Segundo a denúncia, a igreja teria escolhido o vereador como candidato oficial e “dirigiram em favor de sua candidatura os esforços da igreja”. Esses atos teriam se dado por meio de pregações e orientações no recinto da citada igreja.
Com base nas denúncias, o Ministério Público entrou com o pedido de Investigação, que foi aceito pela Justiça.
A decisão em 1º instância para cassar o registro de candidatura do parlamentar ocorreu em maio deste ano. A defesa de Arlindo Branco recorreu, e mais uma vez, agora em 2ª instância, foi confirmada a cassação do seu mandato.
Na noite desta segunda, minutos após a reportagem ter dado em “primeira mão” a informação sobre a cassação do mandato do vereador Arlindo Branco, várias manifestações pró e contra o vereador foram postadas nas redes sociais.
Ao contrário do que foi informado por alguns internautas, os votos não são anulados, e quem assumiria em seu lugar o cargo de vereador seria o suplente Ricardo Malaquias Junior, do PR.
Em julho de 2010, Arlindo Branco também teve o mandato cassado.

A saga de Branco

A carreira política de Arlindo Branco sempre foi marcada por altos e baixos. Seu auge aconteceu quando ele ocupou pela segunda vez uma das cadeiras de vereador na Câmara de Campos do Jordão, em 2001. Na época, eram quinze vereadores. Branco sempre foi um parlamentar disposto a “defender” a bandeira do governo municipal.
Em outubro de 2004, decidiu se candidatar a prefeito em Piranguçú, no Sul de Minas Gerais. Estabeleceu endereço fixo na cidade, levou sua “tropa de fiéis escudeiros”, percorreu de “cabo a rabo” tudo que era canto daquela cidadezinha mineira, considerada pacata, bucólica, aconchegante e com um povo que sabe recepcionar seus visitantes. Tudo para ficar mais próximo do “desconfiado” eleitor mineiro. Não deu certo, ele não emplacou.

A revanche

Retornando a cidade que o projetou politicamente, em meados de 2005, decidiu que era hora mais uma vez de ingressar no legislativo jordanense. Em comboio, a mesma “tropa” do então ex-vereador o acompanhou para mais uma missão: colocá-lo novamente no cenário político. Passou por “maus bocados”, “pregou a palavra”, arregimentou fieis, e não titubeou, Branco conseguiria mais uma vez ser eleito vereador.
Nas eleições de 2008, entre uma análise ali, outra acolá, para identificar quem teria melhores chances de vencer a Prefeitura de Campos do Jordão, decidiu ficar ao lado da candidata da época, Ana Cristina, e a partir dali, foram só vitórias. Vereador pela terceira vez, uma vitória com “V” maiúsculo, mais quatro anos, um sonho quase impossível de ser realizado, e o mais importante, a chance de lhe render “bons dividendos”.

Entre o céu e o inferno

Em 2010 o sonho de Arlindo Branco foi interrompido quando teve o cargo de vereador cassado pela Justiça Eleitoral por ter desacatado um agente de trânsito. A sentença foi emitida em 28 de abril daquele ano pelo Juiz Gustavo Dall’Ólio. Branco foi qualificado nos autos como incurso no art. 331, do Código Penal: “desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela”.
Mesmo tendo que deixar o legislativo, ainda conseguiu uma “boquinha” na gestão de Ana Cristina, como secretário Adjunto de Agricultura, mas foi por pouco tempo, traído por Ana Cristina, logo foi exonerado.
Mas ele não desistiu, anos depois, se tornou “missionário”, posou com o pastor Waldomiro, da Igreja Mundial — aquele que enxuga o próprio suor nas tais “toalhas ungidas” – e virou suplente de vereador na cidade de Mogi das Cruzes com votação bastante expressiva.

LEAVE A REPLY

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.